4 de fevereiro de 2007

Sem time, sem metodologia.

Falar de experiências com metodologias de desenvolvimento estava entre as minhas prioridades neste blog. Na onda do post do Vitor, achei interessante priorizar e dar mais "pano pra manga".

Bom, deixando de lado o "poder" da metodologia X ou Y, eu gostaria de focar no "poder" das pessoas envolvidas neste processo. Contar uma pequena experiência.

Felizmente trabalhei em uma grande empresa que aceitou o desafio de implantar uma metodologia de desenvolvimento em todos os seus departamentos. O ambiente era o melhor possível, juntava a "fome com a vontade de comer", os desenvolvedores e gerentes loucos por um processo de desenvolvimento, enquanto os diretores tinham paciência e dinheiro para implantar este projeto.

Sucesso ? Nem tanto !!!
Diretores fomentaram a implantação do RUP em todos os departamentos, e a escolha por tal metodologia foi recebida com "sorrisos amarelos" pelos líderes do meu departamento (tecnologia), afinal, estes líderes achavam o RUP "burocrático" demais para a tecnologia. Mas, vocês devem saber o que é uma ordem de diretoria, certo ? Então vamos a implantação.

Dado o devido treinamento é hora de colocar a mão na massa: especificação, casos de uso, diagramas, testes, ... enfim... tudo aquilo que o RUP disponibiliza, certo ? Errado.
Reuniões e mais reuniões entre líderes discutindo para que serve o tal "caso de uso". Debates filosóficos e intermináveis para (re)definir o objetivo de uma especificação. Atividades e mais atividades fora da metodologia, baixando ainda mais a produtividade no início da implantação.
Eu me perguntava: "Que tesão o 'Joãozinho' tem em criar o seu caso de teste, ouvindo o seu líder dizer que aquilo não presta ? É como ser incentivado a transar com uma mulher por alguém que não gosta de mulheres."

Então, depois de meses de "trabalho", adivinhem o que a diretoria viu de retorno ? Exatamente o que os líderes queriam, NADA, apenas mostrar que o RUP era um bixo papão e não servia para a tecnologia, sem ao menos vestir a camisa e tentar extrair o que de bom ele poderia oferecer. Na minha humilde opinião, a metodologia foi engolida pelos líderes logo no seu início.

A conclusão com este tipo de experiência, onde o insucesso acontece pela falta de TODOS vestirem a camisa, acredito que seja generalizável a qualquer ramo, atividade, idéia, objetivo, mudança. Isto vai de encontro as conclusões que o Bernardinho chegou, que o Vitor mencionou, e que qualquer pessoa com senso de grupo chegaria:


"Sem time, sem metodologia... sem time, sem mudanças !!!"


PS: Fica pra próxima uma histórinha sobre XP

Um comentário:

Felipe Albrecht disse...

Ae guri!
Sobre a grande empresa: agora o objetivo dela é conseguir o cmmi, os novamente com aquelas reuniões para discutir o que é caso de uso e papéis. Novamente mais especificações e burocracia, alguns que eram contra metodologia estão fora e quem sabe ajude (isto é: não atrapalhe) a implantação.