7 de fevereiro de 2007

Sem time, sem metodologia (parte II).

Dando continuidade ao último post e aliviando um pouco a dor dos defensores do RUP, vou contar a experiência de implantação do XP em uma "empresa", na qual fui um mero observador. Como vocês devem suspeitar, o final desta história é claro que não é vitorioso, afinal este é o objetivo do post: "Sem time, sem metodologia".

A implantação do XP foi feita na equipe que desenvolve os softwares internos de uma universidade, que nada tem de diferente de uma grande empresa, tirando a maior burocracia claro.

Como sempre, o ambiente era o mais amigável para a implantação, cliente sempre perto (eles próprios), grupo de 8 desenvolvedores, vários deles experientes, "diretores" dando carta branca ao projeto, enfim, tudo nos conformes para o XP.

Consultoria básica para treinar o pessoal, com direito ao Klaus e tudo, toda aquela euforia na equipe, "gerente" feliz com este clima, novatos adorando o contato com pessoal mais experiente, coisa mais linda do mundo !!!

Bom, terminada a consultoria, hora de caminhar com as próprias pernas. Passaram alguns meses, disciplinas do XP sendo levadas na ponta dos dedos, novatos já não poderiam mais ser chamados de novatos, estavam detonando. E foi neste ponto que eu perdi o contato com essa galera. "Ah Giovane, e o final ?"

Em conversa rápida estes dias com um dos desenvolvedores, ele me contou o final. Realmente um final que eu nunca tinha imaginado. Todo aquele ambiente, produtividade, euforia, já era. Mataram o XP naquela equipe e voltaram a desenvolver como nos "bons" e "velhos" tempos.

Os ditos desenvolvedores "experientes" (sabe aqueles analistas dos velhos tempos ?), puxaram o barco para trás, deixaram de aplicar várias disciplinas, deixaram de passar conhecimento, deixaram de participar de um time para montar o seu "auto-clã".

Benditos dinossauros, com sua vontade atrofiada, cérebros de amendoim que só pensam na aposentadoria e praticam o comodismo. Só pode ser auto defesa isso, vendo que a gurizada estava chegando ao seu nível, mas com uma diferença, a sede de mudança.

Uma pena isso, que essa é uma das maravilhas do XP, nivelar tua equipe por cima !

5 comentários:

Janoni disse...

Cara, tua historinha é real. Já vi acontecer e não foi só uma vez.

Daniel disse...

Eu vivi algo parecido com isso.. a diferença é que as melhorias eram boladas e postas em prática por nós, desenvolvedores. Pra vocês terem uma idéia da gravidade da situação, o bagulho não tinha nem um CVS.. sempre acontecia de uma pessoa substituir um arquivo que não devia (ah sim, não tinha backup também).

As mudanças estavam sendo feitas e tal, mas no fim nós vimos que não tava servindo de nada, pois o gerente não estava muito afim de mudar o esquema. É akele tipo de gerente que todos nós conhecemos: cinquenta anos nas costas, pra ele Dataflex rula e por aí vai.

Foi foda... então, finalmente desistimos da empreitada. Vitória do gerente tirano(ssauro) :S

Sabem aquele ditado que diz 'cachorro velho não aprende truque novo'? Então, podemos até adaptar para 'gerente velho não aprende metodologia nova'. :P Claro que isso não é regra, mas normalmente é o que costuma acontecer...

[]'s

Anônimo disse...

Não acho justo nivelar todos os profissionais com anos de experiência por baixo, da maneira que fizeste.

Daquia a alguns anos tu como quase todos que lêem agora o teu post, deverão estar na casa dos 40, 50 anos também e talvez não queira ter este arquétipo aplicado sobre si mesmo.

A coisa não é por aí.

Mudanças sempre são difíceis por causa das pessoas realmente. Mas citar que é por causa de um único gerente e por ele ter mais de 50 é uma bobagem tão grande quanto deixar processos críticos nas mãos de um estagiário de 18 anos...

Conheço muitos caras de anos de estrada que estão fazendo a diferença em implementar novas tecnologias nas empresas que trabalham e graças a Deus imagino que este número é maior do que os ditos dinossauros como vocês colocaram.

Giovane Roslindo Kuhn disse...

Caro anônimo...

acredito que existam vários gerentes 50-ões que estejam revolucionando seu ambiente com novas tecnologias...
até conheço alguns poucos que têm idéias muito mais loucas que qualquer "guri" da minha idade...

mas citar estes sejam a grande maioria... lá tenho minhas dúvidas !!!

tens alguns casos de sucesso para contar para a gente? fique a vontade colega.

Daniella disse...

Nossa, adorei ler este post... Já vi isso acontecer... Eu sou adepta ao XP mas também me deparei com vários dinossauros (que nem sempre eram os mais experientes). Isso é muito complicado. Precisa ter uma estratégia muito boa para implantar um método assim e não chegar simplesmente dizendo "Façam dessa forma". O que aprendi que relatei no meu post sobre "apontamento de horas" (blog novo http://tipratica.wordpress.com/), vale também para este caso, onde de uma forma ou outra precisamos deixar que as pessoas sejam convencidas por elas mesmas e não simplesmente ditar como eles devem fazer alguma coisa. Claro, sempre vão existir os que remam contra, mas vale tentar. Quando a mudança interfere diretamente nos ritos de cada um, é preciso ter muito jogo de cintura e sabedoria para implantá-la.