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30 de novembro de 2007

Empresas sem foco no cliente

Aproveitando o post do meu caro amigo Vicente Goetten.

O que acontece quando uma empresa perde o foco nos seus clientes?
Acredito que este vídeo, bando de japa jogando futebol de binóculo, ilustra bem a catástrofe que é uma empresa seguir este caminho.

Boas risadas e mantenha sempre o foco no seu cliente.


17 de outubro de 2007

Escravidão contemporânea.

[ligar modo vá pra PQP]

Eu, Giovane Roslindo Kuhn, acabo de virar gerente de tecnologia de uma das maiores empresas desenvolvedoras de software do mundo. Nossa sede é na "Perdiganha", frio pra caralho =( , mas temos contratos com as maiores montadoras de "tapetes voadores" da Zuropa =D. Sim, desenvolvemos grande parte dos sistemas que rodam nestas grandes montadoras, com isso, precisamos utilizar o que há de mais moderno em tecnologia para atender a demanda destes sistemas (Java, Ruby, Pyton, C#).

Ok, ok, não vou mentir. Existe o legado nestas empresas, e consequentemente nos nossos sistemas também. Tem muita fábrica de "tapetes voadores" que ainda utiliza os bons e velhos mainframes. Qual o problema? Bom, o cobolzão ainda tem que rolar solto em muito dos nossos sistemas. Eu como gerente me vi numa fria, achar mão de obra aonde? Qualquer dinossauro que saiba programar Cobol que se preze, custa o OLHO-DA-CARA aqui na "Perdiganha", afinal eles são uma raridade.

Já sei, eu sou um gênio! Vou abrir uma filial em algum país emergente, conseguir mão de obra em Cobol barata, e com isso deixar meus superiores bem felizes =D!
China? Hmmmm, eles não tem muita fama de falar alemão.
Índia? Eles programa bem, mas será que ainda Cobol?
Brasil? Boaaaaa, ótima idéia. Existem diversas colônias "perdigãs" por lá, além de ser um povo alegre, criativo, receptivo. Eu sou foda, achei a solução. Brasil aí vou eu!

[alguns meses]

Oi pessoal, aqui estou eu no Brasil. Escolhemos a cidade de Blumenau para a nossa filial =D, conseguimos bastante barganha fiscal, é uma região em que bastante gente fala "perdigão", além de ser considerada um celeiro em empresas de software. Mão de obra não vai faltar, estou certo disso =D!

[algumas semanas]

Pessoal, estou fudido! O povo daqui fala um "perdigão" de colônia, ninguém lá na matriz da "Perdiganha" está entendendo, muito menos os nossos clientes montadores de "tapetes voadores". Outro problema, a mão de obra em Cobol é MUITO-CARA! Eu achei que este povo ainda programasse em Cobol. Mas não se preocupem, já tenho uma grande solução, pois eu sou um gênio!

Vou sugerir as universidades ensinarem Cobol, claro! Em pouco tempo vou ter vários estagiários craques em Cobol, com custo zero para ensiná-los, além de pagar bem poquinho. Ok, ok, vou ter que dar um cursinho de "perdigão" pra essa galera! Hahahahaha, eu sou foda, meus custos são baixíssimos, meus superiores vão ficar felicíssimos comigo =D! Estarei ajudando a região, afinal coloquei uma nova cadeira na universidade local, COBOL! Ué, universidade não é pra ser um berço de tecnologia? Olha a tecnologia se disseminando por aí! Além do que, estarei dando oportunidade pra mulecada "trabalhar" em uma mega-power-ultra-amazing-crazy multi-nacional =D!

[desligar modo vá pra PQP]

Vá-cata-coquinho multi-nacional da p**** com essa sua escravidão contemporânea escancarada!

5 de março de 2007

Tempo, nosso bem mais precioso.

Falar da correria do final de semestre foi proposital no último post. O final de semestre me encanta, me fascina, me transforma, me sinto um gênio, um homem com sua cópia!

Nesta época ando a passos largos, faço 10 coisas ao mesmo tempo, termino 10 coisas ao mesmo tempo, se bobear, as 10 no mesmo dia. Nesta época as prioridades ficam claras, as necessidades evidentes, os prazos não passam de poucas horas, as decisões sempre certeiras. A cada dia uma nova batalha travada, uma nova batalha vencida, sem aquela sensação de não ter evoluído nada.

De onde sai toda esta produtividade? Tentei relembrar e listar algumas atitudes tomadas no final de semestre:
  • listar tarefas: nesta lista vão todas as tarefas a serem desenvolvidas nesta época;
  • estabelecer prazos: definir um tempo para o término de cada tarefa, seja arrojado nos seus prazos, isso fará a diferença;
  • priorizar: estabelecer uma ordem para as tarefas, geralmente as que oferecem maior risco têm maior prioridade;
  • tarefas diárias: listar em um papel as suas atividades do dia, mas tem que ser em papel, aquela história de todo list na internet não funciona;
  • focar: talvez seja a mais importante das atitudes, manter o foco nas tarefas que estão na sua lista do dia, nestas tarefas desenvolver apenas o necessário, para que o prazo arrojado seja alcançado;
  • focar: estou batendo nesta tecla novamente devido a sua importância, tente não mudar o seu contexto de trabalho, iniciou uma tarefa, continue nela até terminar;
Escrevi sobre isso porque estou me sentindo improdutivo no mestrado. Durante o post fui me deparando com vários erros que estou cometendo:
  • Não estou fazendo minha lista diária de tarefas. Como vou saber se alcancei meus objetivos do dia?
  • Estou trocando de contexto direto. Estou lendo um artigo, dai vejo uma referência, parto a procura desta referência, depois tento implementá-la. Cadê o foco Giovane?
  • Não estou dando prazo para as minhas tarefas. Pior situação que pode existir, você fazer algo que tenha tempo ilimitado. XP já dizia: "Se tiveres 8 horas para fazer algo, você vai usar as 8 horas. Se tiveres 16 horas para fazer a mesma coisa, você vai usar as 16 horas."
Uma coisa é certa, vou ser um guerreiro de final de semestre o ano todo. Não é pelo meu chefe, não é pelo prêmio de melhor do mês, não é por ninguém além de mim. Quero evoluir diariamente, quero fazer a diferença, para isto, quero cuidar do meu bem mais precioso, quero que isso faça parte da minha cultura!

E você como tem cuidado do seu bem mais precioso?
Continuas escondido nas estimativas de 16 horas para aqueles relatórios que consegues fazer em 8 horas? Continuas nos fóruns da vida e indo para casa com a sensação de nada feito?
Se não, me conte como mantém a sua produtividade!

28 de fevereiro de 2007

Gerentes de projetos inatos.

Sim... você é um, eu sou, todos nós somos gerentes de projetos por nascença. Ouso até em dizer que somos grandes gerentes de projetos, só não confundam com gerentes de grandes projetos.

Pense nos últimos projetos que você gerenciou, daqueles que você aloca e administra recursos, estima prazos, define características e prioridades, negocia com clientes, enfim, todas as atividades que um gerente (como nós) sabe executar.

Você vem com essa: "Ah, eu nunca gerenciei um projeto, aliás, nem sei executar todas estas atividades!"

Será? Aposto que você já gerenciou vários projetos, e digo mais, vários deles ao mesmo tempo. Também aposto que a grande maioria dos projetos tiveram êxito e muitos deles pleno sucesso. Cito exemplo:

Faltam 2 meses para acabarem as suas aulas na faculdade, datas marcadas para as entregas dos trabalhos finais de BD, Compiladores, Linguagens de Programação, SO (éca), além das provas finais, incluindo o temível Cálculo VII. Cara, você tá em apuros!

Você vai para casa, xingando os professores é claro, e pensa em tudo que deve ser feito. Em Linguagens de Programação você está bem na foto e logo define: "Vou deixar por último, se der tempo, faço alguma coisinha".

Em SO a coisa muda de figura, além da professora ser chata, você não gosta da disciplina. Sorte a sua que o trabalho é em dupla e um dos seus colegas manja muito. Você muito esperto, combina com este colega de fazerem juntos o trabalho. Como tem muita coisa a ser feita, já marcam para toda terça e quinta a noite o desenvolvimento deste trabalho.

Sobre BD e Compiladores você divaga: "Vou precisar de um compilador para o meu BD, então é melhor eu começar o meu trabalho de Compiladores para ganhar experiência, depois começo o de BD". Pelas suas contas você precisaria trabalhar umas 12 horas por semana nestes 2 projetos para conseguir entregar a tempo. Acho melhor você cortar as saídas de sexta a noite para conseguir estas 12 horas cara, afinal, são só 2 meses.

Para as provas você resolve estudar aos finais de semana, e no dia anterior à prova dar aquela revisada. Como você pode ver, tudo planejado.

Após 1 mês, o trabalho final de SO está de vento em popa, afinal o seu colega está mandando ver. O de Compiladores você teve vários problemas, já sanados, mas que fizeram atrasar o trabalho de BD. Lá foi você chorar as pitangas para o professor de BD, mas ele aceitou você não fazer os comandos "order by" e "group by". As provas melhor impossível, só o temível cálculo que não entrava na cabeça.

Prazos encerrando, SO entregue, Compiladores entregue, BD faltando pequenos detalhes, e Linguagens de Programação (você esqueceu ?). Sorte sua que o professor é gente boa, com 5 minutos de conversa você consegue mais 1 semana de prazo. Pra melhorar a história, o bicho é o maior matão, então qualquer meleca que você fizer está bom. Provas faltando apenas de cálculo, mas você prometeu se dedicar neste último final de semana.

Por fim tudo entregue e você no bar com os amigos comemorando o término do semestre. Só um coisa, lembre de voltar no próximo semestre para fazer Cálculo VII novamente. =PPP

Dada as devidas proporções, não te achasse um gerente de projeto?

13 de fevereiro de 2007

Emprego: O que você responderia?

Lendo o folhetim de um grande guru de RH do país, me deparei com uma pergunta feita na entrevista de emprego para uma determinada vaga:

"Você está dirigindo seu carro numa perigosa noite de tempestade. Você passa por um ponto de ônibus e vê três pessoas aguardando o ônibus:
- Uma senhora idosa que parece estar à beira da morte;
- Um médico que salvou sua vida no passado;
- A pessoa amada que habita os seus sonhos.
Você só pode levar um no seu carro.
Qual você escolhe? Por favor justifique sua resposta".

Como farei um tour por SC neste carnaval, deixo a resposta do candidato escolhido para a próxima semana. Enquanto isso...

O que você responderia ?

7 de fevereiro de 2007

Sem time, sem metodologia (parte II).

Dando continuidade ao último post e aliviando um pouco a dor dos defensores do RUP, vou contar a experiência de implantação do XP em uma "empresa", na qual fui um mero observador. Como vocês devem suspeitar, o final desta história é claro que não é vitorioso, afinal este é o objetivo do post: "Sem time, sem metodologia".

A implantação do XP foi feita na equipe que desenvolve os softwares internos de uma universidade, que nada tem de diferente de uma grande empresa, tirando a maior burocracia claro.

Como sempre, o ambiente era o mais amigável para a implantação, cliente sempre perto (eles próprios), grupo de 8 desenvolvedores, vários deles experientes, "diretores" dando carta branca ao projeto, enfim, tudo nos conformes para o XP.

Consultoria básica para treinar o pessoal, com direito ao Klaus e tudo, toda aquela euforia na equipe, "gerente" feliz com este clima, novatos adorando o contato com pessoal mais experiente, coisa mais linda do mundo !!!

Bom, terminada a consultoria, hora de caminhar com as próprias pernas. Passaram alguns meses, disciplinas do XP sendo levadas na ponta dos dedos, novatos já não poderiam mais ser chamados de novatos, estavam detonando. E foi neste ponto que eu perdi o contato com essa galera. "Ah Giovane, e o final ?"

Em conversa rápida estes dias com um dos desenvolvedores, ele me contou o final. Realmente um final que eu nunca tinha imaginado. Todo aquele ambiente, produtividade, euforia, já era. Mataram o XP naquela equipe e voltaram a desenvolver como nos "bons" e "velhos" tempos.

Os ditos desenvolvedores "experientes" (sabe aqueles analistas dos velhos tempos ?), puxaram o barco para trás, deixaram de aplicar várias disciplinas, deixaram de passar conhecimento, deixaram de participar de um time para montar o seu "auto-clã".

Benditos dinossauros, com sua vontade atrofiada, cérebros de amendoim que só pensam na aposentadoria e praticam o comodismo. Só pode ser auto defesa isso, vendo que a gurizada estava chegando ao seu nível, mas com uma diferença, a sede de mudança.

Uma pena isso, que essa é uma das maravilhas do XP, nivelar tua equipe por cima !

4 de fevereiro de 2007

Sem time, sem metodologia.

Falar de experiências com metodologias de desenvolvimento estava entre as minhas prioridades neste blog. Na onda do post do Vitor, achei interessante priorizar e dar mais "pano pra manga".

Bom, deixando de lado o "poder" da metodologia X ou Y, eu gostaria de focar no "poder" das pessoas envolvidas neste processo. Contar uma pequena experiência.

Felizmente trabalhei em uma grande empresa que aceitou o desafio de implantar uma metodologia de desenvolvimento em todos os seus departamentos. O ambiente era o melhor possível, juntava a "fome com a vontade de comer", os desenvolvedores e gerentes loucos por um processo de desenvolvimento, enquanto os diretores tinham paciência e dinheiro para implantar este projeto.

Sucesso ? Nem tanto !!!
Diretores fomentaram a implantação do RUP em todos os departamentos, e a escolha por tal metodologia foi recebida com "sorrisos amarelos" pelos líderes do meu departamento (tecnologia), afinal, estes líderes achavam o RUP "burocrático" demais para a tecnologia. Mas, vocês devem saber o que é uma ordem de diretoria, certo ? Então vamos a implantação.

Dado o devido treinamento é hora de colocar a mão na massa: especificação, casos de uso, diagramas, testes, ... enfim... tudo aquilo que o RUP disponibiliza, certo ? Errado.
Reuniões e mais reuniões entre líderes discutindo para que serve o tal "caso de uso". Debates filosóficos e intermináveis para (re)definir o objetivo de uma especificação. Atividades e mais atividades fora da metodologia, baixando ainda mais a produtividade no início da implantação.
Eu me perguntava: "Que tesão o 'Joãozinho' tem em criar o seu caso de teste, ouvindo o seu líder dizer que aquilo não presta ? É como ser incentivado a transar com uma mulher por alguém que não gosta de mulheres."

Então, depois de meses de "trabalho", adivinhem o que a diretoria viu de retorno ? Exatamente o que os líderes queriam, NADA, apenas mostrar que o RUP era um bixo papão e não servia para a tecnologia, sem ao menos vestir a camisa e tentar extrair o que de bom ele poderia oferecer. Na minha humilde opinião, a metodologia foi engolida pelos líderes logo no seu início.

A conclusão com este tipo de experiência, onde o insucesso acontece pela falta de TODOS vestirem a camisa, acredito que seja generalizável a qualquer ramo, atividade, idéia, objetivo, mudança. Isto vai de encontro as conclusões que o Bernardinho chegou, que o Vitor mencionou, e que qualquer pessoa com senso de grupo chegaria:


"Sem time, sem metodologia... sem time, sem mudanças !!!"


PS: Fica pra próxima uma histórinha sobre XP